Estavam agendados para 2026, mas a Toyota anunciou que a data prevista para o lançamento dos novos modelos eléctricos vai derrapar. Construtor aguarda melhores tecnologias e custos inferiores.
A Toyota foi pioneira no desenvolvimento de mecânicas com consumos mais baixos e menos poluentes, os híbridos, tecnologia que lançou com o Prius em 1997, no Japão, e que em 2000 chegou à Europa e à Califórnia, onde se tornou uma moda. Este construtor japonês voltou a liderar o mercado com os carros eléctricos alimentados pela energia produzida a bordo através de células de combustível a hidrogénio, tecnologia que já tinha sido demonstrada eficaz no foguetão Saturn V que, em 1969, colocou os primeiros humanos na Lua e que a Toyota utilizou no Mirai a partir de 2015. Mas, apesar de ser rápido na adopção de novas tecnologias, o construtor nipónico continua a oferecer uma gama mínima de eléctricos e anunciou agora que a situação não vai melhorar em breve.

De momento, a Toyota comercializa apenas um veículo de passageiros eléctrico alimentado por bateria, o SUV bZ4X com cerca de 4,7 m de comprimento, que foi lançado em 2022. O construtor fez saber que em 2026 a oferta de modelos a bateria seria reforçada, para assim recuperar de um certo atraso face à concorrência. Mas, já durante o recente Salão Automóvel de Tóquio, admitiu que, afinal, os novos veículos eléctricos não vão chegar ao mercado tão depressa.
Actualmente, a Toyota constrói os seus eléctricos — sejam eles a bateria ou a hidrogénio — sobre plataformas multi-energia, isto é, que podem receber motores a combustão ou motores eléctricos, ainda que com pequenas alterações. Mas a marca japonesa vai conceber os próximos eléctricos sobre uma nova plataforma específica para carros a bateria, o que os tornaria mais eficientes e potencialmente mais baratos de produzir, especialmente com o recurso ao gigacasting. Simultaneamente, a Toyota sempre demonstrou interesse em lançar a sua gama completa de eléctricos já com baterias sólidas, uma vez que este tipo de electrólito é melhor na prevenção de incêndios, permite cargas mais rápidas e é mais eficiente e barato.

Mas se as novas plataformas EV não explicam o atraso agora anunciado, já o mesmo não acontece com as baterias sólidas, cuja tecnologia está “quase” a chegar ao mercado há quase 15 anos e, até agora, continuamos à espera. Como todos os construtores estão a aguardar que este inovador tipo de bateria passe a estar disponível, o que não os impediu de avançar com acumuladores convencionais com electrólito líquido, seria desejável que também a Toyota avançasse com as tecnologias já disponíveis. Os seus concorrentes têm conseguido bons resultados com as NMC 811 nos modelos mais caros e a necessitar de maior densidade energética, ao passo que os veículos mais acessíveis e menos exigentes em autonomia podem recorrer às células mais baratas a fosfato de ferro (LiFePo).