Um derrame de petróleo que se regista desde 21 de Janeiro na comuna de Malembo, no litoral de Cabinda, está a gerar preocupação no seio da população local mas igualmente entre organizações ambientalistas que exigem medidas para reverter a situação. Hoje, em comunicado a organização ‘Minuto Verde – Quercus Angola’, declarou-se “muito preocupada”. Em entrevista concedida à RFI, Rafael Lucas, presidente desta associação, refere que o derrame tem grandes dimensões e apela as autoridades a actuar.
“O derrame já existe desde o dia 21 de janeiro de 2025. Recebemos a informação ontem. O derrame, na verdade, é vasto. é uma zona extensa. Dados exactos, não temos. As informações que nós temos é de que não é uma coisa pequena. A zona de Malembo é uma comuna onde se promovem actividades de pesca. Então, por conta desse derrame, gerou-se um pouquinho de espanto e toda a população, principalmente aquela que se dedica exclusivamente à pesca, sentiram-se mais afectadas. E a informação é que a cada dia que passa, está a ganhar mais espaço”, alerta o activista.
Ao referir não ter dúvidas de que se trata de um derrame de hidrocarbonetos, “por conta de Cabinda ser uma zona de exploração de petróleo”, o líder ambientalista teve advertências sobre os efeitos que esta ocorrência pode ter nomeadamente em termos de ambiente e saúde.
“As consequências são variadas, desde a perspectiva ambiental, a perspectiva socio-económica, a turística. Pode afectar a saúde da população daquela zona, principalmente as pessoas que estiverem a consumir nesse período os produtos provenientes do mar que estão tecnicamente contaminados. Nós não podemos cruzar os braços. Por isso é que a Quercus Angola está a dar o seu posicionamento sobre a necessidade de o Governo angolano, sobre a necessidade de as empresas, principalmente petrolíferas, assim como também do governo local de Cabinda, tomarem um posicionamento no sentido de tentarem contrapôr a ramificação desse problema”, refere o dirigente associativo.
“Há quatro ou cinco anos, se não estou em erro, ocorreu a mesma coisa. Então fica a ideia de que o Governo angolano precisa tomar medidas sérias no sentido de as empresas passarem a ser mais responsabilizadas. Não podemos permitir que situações do género venham a acontecer quatro ou cinco anos depois”, sublinha Rafael Lucas ao vincar que “não é a primeira vez”, que casos desta natureza sucedem.
Igualmente preocupado está o Núcleo de Ativistas de Cabinda que se dirigiu aos seus parceiros internacionais e pediu auxílio “para todos os intervenientes”. No mesmo sentido, Gervásio Zau, deputado da Unita na oposição, reportou esta situação nas redes sociais, criticando a ausência de intervenção das autoridades locais.
Estes posicionamentos surgem depois de a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis ter dado conta na quarta-feira do “surgimento de uma substância oleosa na bacia de Malembo”, esta entidade referindo ter criado um grupo de trabalho para esclarecer o origem do sucedido.
Recorde-se que o enclave de Cabinda, rico em recursos naturais e nomeadamente petróleo, tem visto o seu ouro negro ser explorado pela multinacional norte-americana Chevron. Presente naquela zona há 70 anos, através da sua filial Cabinda Gulf Oil Company Limited, a Chevron extrai petróleo de duas concessões, o Bloco 0, ao largo de Cabinda, e o Bloco 14 em águas profundas.